sábado, 21 de agosto de 2021

A vela

Como exercício de Kavaná (concentração com foco), procuro fazer o exercício de ascender e observar uma vela todos os dias pela manhã, logo depois das minhas orações. De certa forma tem sido uma experiência interessante, pois ao ascender e contemplar a chama da vela já tenho dedicado anteriormente vinte minutos às práticas de Kavaná e de Hitbodeidut (conversa direta com o Infinito). Procurei me sentar em uma posição confortável e observar a vela ali, a um metro de distancia. Na medida em que observava a vela parecia me vizualizar na propria chama. Como se a minha silhueta estivesse ali projetada. Uma espécie de sombra espelhada na chama. Não via meu rosto nem nada, mas me contemplava na vela. Ao contemplar tal silhueta me peguei a pensar se aquilo estava prejudicando o exercício, pois poderia ser uma forma de pensar em algo e não no esvaziamento de meus pensamentos, e a partir de então procurei não mais observar essa silhueta, tentanto mesmo esvaziar os pensamentos ou até mesmo pensar no Infinito ou no nada, afinal ambos estão muito associados à Criação. Em primeiro lugar o Absoluto dá espaço ao nada para que o resto possa existir dentro do nada. No entanto, o Infinito - este sim - está além do Absoluto, impossível a nós limitá-lo, portanto, mesmo Infinito. O exercício tem me acalmado e tem me feito perder a noção de tempo. Não sei se também perco a noção de espaço. Todavia, como penso no nada ou na não existência, acredito que tanto o tempo como o espaço somem. Ao longo do dia a contemplação da vela me vem à mente. Em alguns momentos, quando estou a escrever algo, ou mesmo a fazer algo na cozinha, me pego a pensar na vela como se fosse algo que fizesse mesmo parte de mim. Até chego a pensar na associação dela com a alma, como já vi em algumas leituras esse respeito. Descobri, igualmente, uma meditação oriental chamada Trataka - ou algo proximo disso - que consiste em meditar a partir da contemplação de uma vela. Tudo isso me lembrou, ainda, das antigas práticas rosacruzes. Apesar de não ser um membro da Antiga e Mistica Ordem Rosa Cruz (AMORC), tenho conhecimento de que os rosacruzes procuram observar sua propria imagem em um espelho com uma vela acessa em suas meditações iniciáticas. Me parece que a esse ritual chamam de Sanctum ou a prática dessa contemplação faz com que os rosacruzes estabelecam um local em suas casas com este nome. Enfim, acredito que a meditação tem feito bem, assim como tem despertado paciência e até mesmo calma, concentração. Que haja Luz!
Yerevan, 2014

Nenhum comentário:

Postar um comentário